4 em cada 10 famílias enfrentam a fome no Nordeste

Número de pessoas na região com insegurança alimentar grave aumentou 118,7% em dois anos

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Não ter acesso a qualquer tipo de alimento e viver com a fome diariamente é uma triste realidade presente na vida de milhões de brasileiros. Somente no Nordeste, 12,1 milhões de pessoas passam por essa situação atualmente.

De acordo com dados coletados pela Agência Tatu, do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, 4 em cada 10 famílias da região Nordeste convivem com as formas mais severas de insegurança alimentar, ou seja, moderada e grave. Isso representa 36,2% dos domicílios nordestinos.

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O estado de fome já vinha apresentando crescimento desde 2013, mas com a permanência da pandemia de Covid-19 foi possível notar um aumento significativo dos níveis de Insegurança Alimentar (IA) moderada e grave, além de uma intensa redução da Segurança Alimentar, nos dois últimos anos. No Nordeste, foi observado um aumento de 118,7% de Insegurança Alimentar grave e uma diminuição de 26,6% da segurança alimentar, de 2018 para 2022.

Esses números foram apresentados em junho deste ano pelo II VIGISAN, que analisou dados coletados entre novembro de 2021 e abril de 2022 nos domicílios brasileiros, utilizando a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), em sua versão de oito perguntas. 

O II VIGISAN também analisou as pesquisas anteriores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a mesma escala utilizada, como forma de comparar os dados, sob a mesma metodologia, entre os anos de 2004 e 2022.

A Ebia classifica a segurança alimentar como sendo o acesso pleno e regular aos alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Já a insegurança alimentar é classificada em três níveis: leve, moderada e grave.

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No Brasil, é possível notar um declínio expressivo da segurança alimentar e um crescimento constante da insegurança alimentar desde 2013. Em um comparativo entre as macrorregiões do país, observa-se que 2013 foi o ano que registrou o menor nível de IA grave nas regiões, enquanto 2022 concentra os maiores níveis, desde 2004.

A família de Erika Caroline, 32, que reside com o marido e o filho de 4 anos em Maceió, foi uma das que foi afetada pela redução da qualidade dos alimentos desde a pandemia, se enquadrando em insegurança alimentar leve. De acordo com ela, nos períodos mais críticos, diversas substituições têm de ser feitas para que não fique comprometida a quantidade da alimentação.

“Tem coisas que a gente consumia antes da pandemia e hoje a gente não consome mais, como carne vermelha. Porque com o valor de 1kg de carne moída, por exemplo, dá pra a gente comprar outra proteína para três ou quatro dias. Além disso, com o crescimento do nosso filho, muitas vezes a gente precisa priorizar a necessidade da criança e fazer algumas trocas, não comprar uma coisa para poder comprar outra, e por aí vai”, conta Erika.

Diversas variantes são pontuadas pela publicação como agravantes do aumento dos índices de insegurança alimentar no Brasil, como o desmonte de políticas públicas, a piora na crise econômica, o aumento das desigualdades sociais, a alta dos preços de combustíveis, além do segundo ano da pandemia da Covid-19.

Dados abertos

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